Você aprendeu que os macrófagos são produtos dos monócitos. E os monócitos são leucócitos mononucleares que fazem parte da imunidade inata, certo? Certo!
Eles são produzidos na medula óssea e permanecem na circulação por um curto período, geralmente de um a três dias, antes de migrarem para os tecidos do corpo. São as maiores células entre os leucócitos circulantes e podem ser reconhecidos no exame de sangue pelo seu núcleo característico em forma de rim ou ferradura. A principal função dos monócitos é atuar como células de defesa e de reparo. Quando o organismo sofre uma infecção ou lesão, os monócitos são recrutados para o local afetado, onde se transformam em macrófagos.
Os macrófagos são, portanto, a forma final dos monócitos que migram do sangue para os tecidos. Eles estão distribuídos por diversos órgãos e recebem nomes específicos conforme o local onde se encontram: São chamados de células de Kupffer no fígado, osteoclastos nos ossos e micróglia no sistema nervoso central.
Além disso, os monócitos são classificados em subconjuntos e isso faz muita diferença no fenótipo dos macrófagos:
| Subpopulação de Monócitos | Expressão de Marcadores | Principais Funções |
|---|---|---|
| Monócitos Clássicos (CD14++CD16−) | Alta expressão de CCR2 | Possuem propriedades inflamatórias e elevada capacidade fagocítica, participando da neutralização de patógenos e da secreção de citocinas pró-inflamatórias. |
| Monócitos Intermediários (CD14+CD16+) | Expressão de receptores Fc, como CD64 e CD32 | Apresentam características inflamatórias e desempenham papel relevante na apresentação de antígenos, conectando a imunidade inata à adaptativa. |
| Monócitos Não Clássicos (CD14−CD16++) | Alta expressão de CX3CR1 | Realizam patrulhamento ao longo do endotélio vascular, monitorando a integridade dos vasos e respondendo rapidamente a infecções virais. |
E é aqui que a plasticidade vira protagonista: Os macrófagos desempenham papéis importantes na homeostase tecidual, no processo de cicatrização e na resposta do organismo a doenças. Quando estimulados por lesão, infecção ou por células imunes específicas para antígenos, os macrófagos são rapidamente ativados em diferentes fenótipos com propriedades fisiológicas distintas.
Genótipo e fenótipo: qual a diferença?
Genótipo = o que está no DNA, conjunto de genes que um indivíduo possui.
Fenótipo = o que se expressa, manifestação visível do genótipo.
É a propriedade da lesão que define o fenótipo dos macrófagos, Essa plasticidade permite sua classificação em fenótipos com funções distintas, sendo os principais o macrófago M1, associado à resposta inflamatória, e os macrófagos do tipo M2, relacionados à resolução da inflamação e ao reparo tecidual.

Os macrófagos M1, também chamados de macrófagos classicamente ativados, são induzidos por citocinas pró-inflamatórias (são moléculas sinalizadoras que o sistema imunológico utiliza para coordenar a resposta à inflamação), como IFN-γ, e por produtos microbianos, como o lipopolissacarídeo (LPS). Apresentam elevado potencial microbicida e secretam citocinas inflamatórias, como TNF-α, IL-1β, IL-6 e IL-12, além de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio. Dessa forma, são fundamentais na defesa contra patógenos intracelulares e na ativação da resposta imune adaptativa, mas seu predomínio tem período limitado, o prolongamento pode contribuir para danos teciduais.
Os macrófagos M2, ou alternativamente ativados, surgem em resposta a citocinas anti-inflamatórias, como IL-4, IL-13 e IL-10, e apresentam papel regulador e reparador. Esse grupo é funcionalmente heterogêneo e pode ser subdividido em M2a, M2b e M2c, de acordo com o estímulo que promove sua ativação. Os macrófagos M2a são induzidos principalmente por IL-4 e IL-13 e estão relacionados à reparação tecidual, síntese de colágeno e fibrose. Já os macrófagos M2b são ativados por complexos imunes e receptores Toll-like, apresentando um perfil misto, capaz de secretar tanto citocinas anti-inflamatórias quanto algumas pró-inflamatórias, desempenhando um papel modulador da resposta imune. Por fim, os macrófagos M2c são induzidos por IL-10, TGF-β e glicocorticoides, sendo caracterizados por seu papel na imunossupressão, remoção de células apoptóticas e remodelamento tecidual.
Em 2020 participei de uma publicação sobre esse tema, que avaliou os efeitos da fotobiomodulação nos macrófagos: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31152259/
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Referencias:
1. de Brito Sousa, K., Rodrigues, MFSD, de Souza Santos, D. et al. Expressão diferencial de mediadores inflamatórios e anti-inflamatórios por macrófagos M1 e M2 após fotobiomodulação com lasers vermelho ou infravermelho. Lasers Med Sci 35 , 337–343 (2020). https://doi.org/10.1007/s10103-019-02817-1
2. Mantovani A, Biswas SK, Galdiero MR, Sica A, Locati M (2013) Macrophage plasticity and polarization in tissue repair and remodeling. J Pathol 229:176–185
3. Souza TO, Mesquita DA, Ferrari RA, Pinto D, Júnior S, Correa L, Bussadori SK, Fernandes KPS, Martins MD (2011) Phototherapy with low-level laser affects the remodeling of types I and III collagen in skeletal muscle repair. Lasers Med Sci 26:803–814
Para citar no seu trabalho escolar:
SOUZA, Debora. O que a faculdade não te ensinou sobre os macrófagos. Entre Lâminas, 2025. Disponível em: https://entrelaminas.com.br/2025/09/23/o-que-a-faculdade-nao-te-ensinou-sobre-os-macrofagos/. Acesso em: xx/xx/xxxx.
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