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O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais emergências cardiológicas e exige diagnóstico rápido e preciso. O Ministério da Saúde estima que ocorram de 300 a 400 mil casos anuais no Brasil e que 5 a cada 7 casos evolua para óbito. A avaliação clínica e o eletrocardiograma são fundamentais, mas os biomarcadores laboratoriais oferecem informações objetivas que ajudam a confirmar ou descartar o diagnóstico, além de avaliar prognóstico e orientar condutas.

Entre os principais biomarcadores utilizados no pronto atendimento estão a Troponina, a CK-MB, o Pro-BNP e o Dímero-D. Cada um deles tem uma função distinta, mas todos se complementam na investigação de dor torácica e sintomas cardiovasculares.

Troponina

  • É considerada o marcador padrão-ouro no diagnóstico de IAM.
  • Eleva-se no sangue em resposta à lesão dos cardiomiócitos, geralmente de 3 a 6 horas após o início dos sintomas.
  • Permanece aumentada por até 10 a 14 dias, o que permite detectar infartos mesmo quando o paciente demora a procurar atendimento.
  • É muito sensível e específica, o que significa que níveis altos dificilmente se devem a outra causa que não seja dano cardíaco.

CK-MB

  • Foi o marcador mais usado antes da troponina.
  • Ainda hoje tem utilidade, principalmente para detectar reinfarto, já que seus níveis retornam ao normal em 48 a 72 horas.
  • É menos específica que a troponina, pois também pode se elevar em doenças musculares.

Na prática: usada como complemento, especialmente em pacientes que já tiveram IAM recente.

Pro-BNP

  • Não é marcador específico para infarto, mas é fundamental na avaliação da função cardíaca.
  • O aumento desse peptídeo indica sobrecarga e disfunção ventricular, ajudando a diferenciar dor torácica isquêmica de insuficiência cardíaca aguda.
  • Também serve como marcador de prognóstico, já que níveis altos se associam a piores desfechos.

Na prática: muito útil para pacientes que chegam com dor torácica e falta de ar, onde pode haver dúvida entre IAM e descompensação cardíaca.

Dímero-D

  • É um marcador de formação e degradação de coágulos.
  • Não é usado para diagnosticar IAM, mas sim para o diagnóstico diferencial, principalmente em casos de suspeita de tromboembolismo pulmonar (TEP), que pode imitar os sintomas do infarto.
  • Um resultado negativo em pacientes de baixo risco praticamente exclui TEP.

Na prática: ajuda a descartar causas não cardíacas de dor torácica

Ou seja…

No pronto atendimento hospitalar:

  • Troponina confirma a lesão miocárdica.
  • CK-MB é útil para detectar reinfarto em curto prazo.
  • Pro-BNP avalia função ventricular e prognóstico.
  • Dímero-D auxilia no diagnóstico diferencial de TEP.

O uso combinado desses biomarcadores, somado à história clínica e exames complementares como o eletrocardiograma, garante uma abordagem mais precisa, rápida e segura ao paciente com dor torácica.

Referências
  • Thygesen K, et al. Fourth Universal Definition of Myocardial Infarction (2018). European Heart Journal. 2019;40(3):237–269.
  • Amsterdam EA, et al. 2014 AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Non–ST-Elevation Acute Coronary Syndromes. J Am Coll Cardiol. 2014;64(24):e139–e228.
  • Ponikowski P, et al. 2016 ESC Guidelines for the Diagnosis and Treatment of Acute and Chronic Heart Failure. Eur Heart J. 2016;37(27):2129–2200.
  • Konstantinides SV, et al. 2019 ESC Guidelines for the Diagnosis and Management of Acute Pulmonary Embolism. Eur Heart J. 2020;41(4):543–603.

Para citar no seu trabalho:

Santos, DS. “Troponina, Dímero-D, Pro-BNP e CK-MB: qual a relação desses biomarcadores no diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio no pronto atendimento hospitalar?”. ENTRE LAMINAS. Disponível em: <entrelaminas.com.br>. Acesso em 00/00/2000.
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